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Lazer, um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontadeO QUE É O LAZER E A RECREAÇÃO

 

Por Enio Trevizani

Joffre Dumazedier

A palavra “lazer”, deriva do latim: licere, ser lícito, ser permitido.

Os estudos sobre o “lazer” seguem os conceitos teóricos do sociólogo francês Joffre Dumazedier, que define como: “um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais” - (Dumazedier, 1976, apud Oleias).

Segundo o Professor e Doutor Valmir José Oleias, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, o conceito de lazer está relacionado à disponibilidade do tempo livre nas possíveis atividades ligadas às classes sócio-econômicas. Luiz Cintra Rolin em seu livro “A Aprendizagem Permanente” (SP-Editora Ática, 1989), procura entender o lazer dentro de uma perspectiva psicossocial, apresentando-o como um “tempo livre”, empregado pelo indivíduo na sua realização pessoal como um fim em si mesmo: “o indivíduo se libera à vontade do cansaço, repousando; do aborrecimento, divertindo-se; da especialização funcional, desenvolvendo de forma intencional as capacidades de seu corpo e espírito”. No livro “O lazer no Brasil” (SP-Brasiliense, 1977), o autor Renato Requixa, notabiliza a tese de que o lazer é um produto do próprio desenvolvimento industrial, com tendência a tornar-se mais importante, segundo o aumento do tempo livre dos trabalhadores. Nélson Carvalho Marcelino escreve em seu livro “Lazer e Humanização” (Campinas - SP, Papirus, 1983), a exemplo de Dumazedier, apresenta o “lazer”, como uma atividade desinteressada, sem fins lucrativos, relaxante, sociabilizante e liberatória. Poucas investigações procuram considerar a prática do lazer como associada ao comportamento social e de classe. Em sua maioria, exploram apenas o seu conteúdo prático. Uma formulação paradigmática que concebe o lazer a partir dos dispositivos estruturais que a sociedade contemporânea apresenta, ou seja, considera a divisão da sociedade em classes e procura destacar como se manifesta o lazer e o consumo cultural das elites está no estudo de Maria Cecília Spina Forjaz, no livro: “Lazer e Consumo Cultural das Elites” (RBCS, 1988). A pesquisa é inovadora no tratamento do problema porque, distintivamente, investigou as práticas e representações acerca do lazer e consumo de bens culturais na área metropolitana de São Paulo, no meio das elites empresariais.

Portanto não podemos confundir “Lazer” com “Atividades Recreativas”. As atividades recreativas são o preenchimento do “tempo livre”, sejam elas culturais, esportivas ou de entretenimento.

A recreação teve sua origem na pré-história, quando o homem primitivo se divertia festejando o início da temporada de caça, ou a habitação de uma nova caverna. As atividades se caracterizavam por festas de adoração, celebrações fúnebres, invocação de Deuses, com alegria, caracterizando assim um dos principais intuitos da recreação moderna, e também, o vencimento de um obstáculo. As atividades (jogos coletivos) dos adultos em caráter religiosas foram passadas de geração em geração às crianças em forma de brincadeiras.

As brincadeiras são importantes atividades na formação da personalidade como na formação física, observem as crianças em suas atividades cotidianas, como também os filhotes, que passam a sua maior parte do tempo brincando.

Jogo se diferencia de brincadeira, pelo fato do primeiro ter um objetivo e finalidade e o segundo não passa de preenchimento do “tempo livre”, exemplos simples como futebol, vôlei e basquete, onde há um vencedor. No segundo caso, as brincadeiras têm objetivo de somente se divertir, como as brincadeiras de roda. Há também jogos e brincadeiras “lúdicas”, onde o imaginário é utilizado como “tempero” para despertar a atenção e o envolvimento.

J. B. BasedowO movimento da recreação sistematizada iniciou-se na Alemanha em 1774 com a criação do Philantropinum por J. B. Basedow, professor das escolas nobres da Dinamarca. Na Dinamarca, as atividades intelectuais ficavam lado a lado às atividades físicas, como equitação, lutas, corridas e esgrima. Na Fundação havia cinco horas de matérias teóricas, duas horas de trabalhos manuais, e três de recreação, incluindo a esgrima, equitação, as lutas, a caça, pesca, excursões e danças. A concepção Basedowiana contribuía para a execução de atividades a fim de preparação física e mental para as classes escolares maiores.

Nos EUA o movimento iniciou em 1885 com a criação de jardins de areia pra as crianças. Com o tempo, o espaço tornou-se pequeno visto que os irmãos mais velhos vinham também se recrearem nos jardins. Criavam-se então os Playgrounds em prédios escolares, chamados também de pátios de recreio.

Em 1885, os Estados Unidos adotaram este método, com a criação de áreas destinadas a crianças e aos adolescentes, os “playgrounds” (pátio de recreação) em prédios escolares. Com visão futura, logo foram criados os Centros Recreativos, prevendo a necessidade de atender as diversas faixas etárias, que funcionavam diariamente em locais campestres. Eram construções que envolviam salas de teatro, de reuniões, piscinas, bibliotecas, refeitórios, playgrounds, quadras e ginásio poliesportivos, com vestiários e banheiros. Para orientação das atividades existiam os líderes especialmente treinados.

Em 1906 foi criado um órgão responsável pela recreação, o Playground Association Of America, hoje mundialmente conhecido com National Recreation Association. Devido à crescente importância, na busca do preenchimento do “tempo livre” e com o aumento considerável no número de pessoas na melhor idade, aposentados que procuram um local para se ocupar, o terno “Playground” foi alterado para “Recreation”.

A partir da década de 50, após a Segunda Guerra Mundial, as pessoas passaram a viajar mais e procurar hotéis de veraneo durante as férias escolares. Para entreter os hóspedes, os hotéis começaram a programar atividade dirigidas, como esportes, dança e teatro, assim seus clientes tinham um tempo de permanencia nestes hotéis mais agradável, pois os pacotes da temporada passavam mais de um mês. Assim surgiu a recreação hoteleira, uma opção para os hóspedes ocuparem seu tempo e fugirem da rotina do seu dia a dia.

Centros recreativos nos Estados Unidos

No Brasil a recreação sem fins lucrativos, está restringida a precários parques abandonados, praias onde encontramos equipamentos rústicos, alguns clubes da melhor idade e nas secretarias de esportes em cidades que se preocupam com a qualidade de vida dos seus moradores. A falta de atividades físicas e recreativas é mais um problema social brasileiro. Crianças e jovens estão nas ruas, na escola do crime. Nossos anciões sentem-se abandonados e sem nenhuma utilidade para com a sociedade, envelhecer tornou-se sinônimo de “sem utilidade”, a melhor “mão de obra” é desprezada, a experiência não é mais valiosa. Nossos governantes fecham seus gananciosos olhos para essas pessoas e não vêem que estas práticas recreativas e físicas, fazem um papel fundamental na formação de uma próspera sociedade e consecutivamente de um grande país.

Referências:

“Introdução ao Turismo e Hotelaria”, Editora Senac. São Paulo, 2005 - Senac, São Paulo, 2005
                Universidade Federal de Santa Catarina

                               Cooperativa do Fitness

 

CAMARGO, Luiz Otávio de Lima. O que é Lazer. São Paulo, Brsiliense, 1989.

CASTELLI, Geraldo. Turismo - Atividade Marcante do Século XX. Caxiais do Sul - RS, EDUCS, 1990.

DUMAZEDIER, Joffre. Lazer e cultura popular. São Paulo, Perspectiva, 1976.

FORJAZ, Maria Cecília Spina. Lazer e Consumo Cultural das Elites. RBCS, 1988.

MARCELINO, Nélson Carvalho. Lazer e Humanização. Campinas - SP, Papirus, 1983.

REQUIXA, Renato. O lazer no Brasil. São Paulo - SP, Brasiliense, 1977.

ROLIN, Liz Cintra. Educação e Lazer - A Aprendizagem Permanente. São Paulo - SP, Editora Ática, 1989.

ZALUAR, Alba. Artigo: “O Esporte na Educação e na Política Pública.” In: Educação & Sociedade. 38, abril/91. SP, Papirus, 1991.

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