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BREVE HISTÓRICO DO TURISMO

 

Por Enio Trevizani

Talvez o turismo seja originário da descoberta do ser humano da existência de lugares incríveis para serem descobertos ou conhecidos. Alguns citam que o turismo tenha a sua origem nas peregrinações religiosas, outros pelas incursões de exploradores e comerciantes na busca de riquezas em outras terras.

Durante mais de 15 séculos, os gregos procuravam os oráculos para saber o futuro ou para se sincronizarem com os deuses, o mais famoso deles, o Oráculo de Delfos (também chamado de Templo de Apolo), era o mais visitado, principalmente na época dos jogos olímpicos. Nos tempos bíblicos, os judeus espalhados por toda Israel, tinham vontade conhecer sua capital santa, Jerusalém, construída pelo seu mais amado rei, Davi e visitar o templo construído por seu filho Salomão, por isto a “Cidade Santa” sempre estava lotada de “turistas” e mercadores. Muito mais tarde, influenciado pelas cruzadas, o fluxo de europeus aumentou naquela região pela necessidade em conhecer e proteger a cidade onde Cristo foi crucificado.

O poeta e escritor Antípatro de Sidon e o engenheiro Philon de Bizâncio, ambos gregos, citaram em seus manuscritos sete obras dignas de serem vistas, esculturas e monumentos extraordinários, erguidas pela mão do homem, referindo sobre as “Sete Maravilhas do Mundo” (Pirâmides de Gizé (Egito), Jardins Suspensos da Babilônia (Iraque), Estátua de Zeus em Olímpia (Grécia), Templo de Ártemis em Éfeso (Turquia), Mausoléu de Halicarnasso (Turquia), Colosso de Rodes (Grécia), Farol de Alexandria (Egito)), que incentivou as pessoas viajarem para conheceres essas obras.

As Sete Maravilhas do mundo antigo, na ordem: as Pirâmides do Egito, os Jardins Suspensos da Babilônia, a Estátua de Zeus em Olimpia, o Templo de Ártemis em Éfeso, o Mausoléo de Halicarnasso na Turquia, o Colosso de Rodes na Grécia e o Farol de Alexandria no Egito

Marco Pólo, famoso mercador e viajante italiano, nascido em 1.254, também contribuiu para com esta atividade, atravessando toda Europa e Ásia, chegando finalmente à China. Em sua volta ao país de origem, contou as novidades sobre o oriente e mostrou as preciosidades vindas daquela região do planeta, que incentivou outros mercadores a viajarem tanto com carroças como em navios à vela, que ocasionou o descobrimento de novas terras. Outro Italiano, Américo Vespúcio foi mais além, navegou por todo o continente recém descoberto, que na época fora retratado como “Terra de Américo”, mais tarde denominada “América”. O Navegador, Fernão de Magalhães, assombrou o mundo, daquela época, provando que a terra era redonda, rompeu barreiras, dando a primeira viagem de circunavegação no globo terrestre, em 1522.

Jerusalém, cidade de intensas peregrinações graças ao templo erguido por Salomão, o Oráculo de Delfos e Marco Polo, o famoso mercador viajante
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Mais tarde, com a chegada das máquinas a vapor, o fluxo de viajantes por todo o mundo cresceu consideravelmente e no início século XIX, Thomas Cook, um marceneiro e pregador batista, de pouco mais de 30 anos, da aldeia do condado de Derby, Inglaterra, reuniu 570 pessoas em uma viajem de um dia, em uma locomotiva a vapor, partindo de Lancaster para Loughborug (U.K.). Ele que nunca havia entrado em um trem, cobrou pelos seus serviços. Cook tinha como intuito, reunir certo número de pessoas, para ouvirem suas pregações contra a bebida alcoólica. Essa foi à primeira viagem turística da história e com ela, Thomas Cook se tornou o primeiro profissional de serviços em viagens.

Logo o simples pregador transformou em empresário, montando uma operadora que desenvolvia sistemas de funções e serviços para viajantes, que existe até hoje, oferecendo roteiros para diversos lugares em seus próprios aviões comerciais, a "Thomas Cook Travel". Cook também criou a figura do guia de turismo usando a sua própria esposa para a função e aproveitando-se da grande demanda de seus serviços, em roteiros de lazer e tours pela Europa, assinou um contrato permanente com a companhia de trens Midland Counties Railways entre os anos de 1844 e 1856.

Seus horizontes ampliaram e em 1872, em companhia de quatro ingleses, quatro americanos, um grego e um russo, visitando Estados Unidos, Japão, China, Cingapura, Índia, Ceilão e os países árabes. Thomas Cook realizou a primeira viagem de volta ao mundo, influenciando o escritor Júlio Verne, a escrever um de seus melhores livros: “À volta ao mundo em oitenta dias”.

As viagens ficaram ainda mais agradáveis com a criação do "Expresso do Oriente", que ligava a cidade francesa de Paris à Constantinopla (hoje Istambul), na Turquia. Com muito conforto e luxo, deixava as viagens mais glamourosas e românticas e foi imortalizado na obra literária de Agatha Christie: "Assassinato no Expresso do Oriente", que mais tarde tornou-se sucesso de bilheteria com a produção em filme de cinema.

Thomas Cook e sua agência que funciona até os dias atuais e um vagão do famoso Expresso do Oriente

Surgiam novas agências de turismo que incentivavam empresas marítimas a construírem navios de luxo. Os alemães impunham sua soberania com os dirigíveis, que atravessavam o Atlântico. A aviação comercial deu nova dimensão ao negócio criando os vôos charters (fretados), passando a exercer um papel fundamental para atividade.

Novos destinos foram criados: hotéis de luxo, cidades com complexos destinados ao lazer, descanso e ao entretenimento, regiões exóticas eram descobertas e exploradas. As pessoas tinham a oportunidade de conhecerem o mundo. Os transportes se modernizaram e ficavam cada vez mais rápidos. A mão de obra se especializava, surgiam às escolas de hotelaria e serviços, principalmente na França e na Suíça.

O turismo é hoje uma indústria que gera milhões de dólares e envolve uma centena de profissionais, desde um simples taxista ao mais refinado Chef de Cozinha, transformou se em uma gama de outras atividades como o turismo religioso, turismo de lazer, turismo ecológico, turismo de aventura, turismo de negócios e tantos outros.

O turismo é hoje uma indústria que gera milhões de dólares e envolve uma centena de profissionais

Importante é salientar que necessitamos de pessoas qualificadas na administração e manutenção do turismo, evitando que uma região ou um destino, perca a sua identidade e sustentabilidade, freando o turismo predatório, que suga suas fontes até o fim, encabeçada pela ganância doentia de empresários e políticos sem visão futura, que aparentam pessoas do bem, através da mídia, mas na verdade, tiram máximo proveito do patrimônio, ou pior, causam acidentes premeditados, destruindo monumentos históricos, a vida humana e a vida ecológica. As leis devem aplicadas a essas pessoas, independente de seus cargos públicos ou contas bancárias. Veja os exemplos que acontecem no país: empresas aéreas a beira do caos, destinos como a cidade do Rio de Janeiro onde violência impera, atentados ao meio ambiente como estão ocorrendo no Arquipélago de Fernando de Noronha, Rio São Francisco, Pantanal Matogrossense e na própria Amazônia. Imagens que repercutem no mundo lá fora e levam ao exterior, uma péssima imagem do nosso imenso e maravilhoso país, causando a falência do turismo no Brasil.

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